Páginas

25/01/2012

A lenta marcha da Democracia.

           Maquiavel escreveu que é melhor ser temido que amado - no que concerne à manutenção do poder. As 'lições' de O Príncipe foram escritas para um contexto absolutista de governo, Maquiavel não pensava a aplicação dos seus escritos na Democracia muito menos nas modernas versões desta que, creio eu, ele nem imaginava.
          Mas a democracia tem suas falhas, e quanto mais falhas ela apresenta em suas versões localizadas, mais ela se aproxima do absolutismo permitindo que as máximas de Maquiavel se apliquem aqui e ali.
  Pensando as Democracias modernas, os contemporâneos definiram a "Liberdade de Expressão" como o bem principal do regime e o ultimo bastião que o caracteriza. O voto secreto é a expressão maior dessa liberdade, no entanto vemos nas democracias mais tradicionais que a declaração de voto é comum para pessoas de alta posição social, e quase obrigatória para alguns - juízes americanos que não tomam posição partidária explicita são considerados 'homens fracos' e sem opinião, lá os grandes da imprensa se posicionam publica e claramente nas eleições ajudando o leitor, ou expectador, a entender melhor as notícias sabendo a tendencia por trás da narração. Na França, Inglaterra, Itália, Alemanha a declaração pública de voto pelas pessoas e instituições mais relevantes também é comum. Já os cidadãos comuns e simples desses países se sentem ofendidos se perguntados em quem vão votar. Sentem sua liberdade agredida, invadida, seus direitos ameaçados com a simples pergunta.
         Curiosamente aqui no Brasil vemos bem o contrário, órgãos de imprensa e pessoas com proeminência social, juízes e promotores ficam bem 'na moita' quanto a assumirem posição clara e pública; já o povo simples e trabalhador não esconde seu voto... fala abertamente na rua, bar, entre conhecidos e desconhecidos, quase ninguém tem medo. Parece que a democracia existe aqui.
       Mas, quanto mais alto na escala social e econômica menos as pessoas se manifestam, o pequeno comerciante tem medo do prefeito, o industrial do governador, o banqueiro do governo federal, a imprensa - de local a nacional, tem seu medo escalar na mesma proporção: um jornal local que tem os editais da prefeitura só faz critica suave e nas entrelinhas, já o jornal que não tem o contrato dos editais ataca á medida que outras publicações da prefeitura ou das empresas do prefeito não circulam nele. A mensagem dos governantes é clara: Você pode publicar e falar oque quiser, mas seu jornal pode vir a falir, o empresário pode ser ferozmente fiscalizado, o Juiz pode vir a precisar do favor de um Desembargador (cargo ainda político), o Banco pode 'ser alvo de suspeitas' do Banco Central - suficiente para afugentar correntistas, o intelectual fica com medo do MEC e de perder patrocínios, as estatais - poderosas, têm verbas extraordinárias para distribuir, e assim por diante... Liberdade de expressão existe, desde que você não tenha nada a perder. O poder econômico influencia todas as democracias modernas, sem dúvida. Mas o peso dessa influência varia conforme as regras do jogo de cada país bem como da concentração desse poder. No nosso Brasil o maior agente econômico ainda é o governo e suas estatais - aqui ele movimenta mais de 50% do nosso PIB. Quem aqui acha que o governo esta nas mãos do empresariado esta muito enganado... é o empresário que esta nas mãos de quem estiver no governo.
          Assim nossa democracia deixa brecha para o maquiavelismo mais notório - o medo.
         Medo que atinge os formadores de opinião. O povo fala à vontade, tem pouco a perder e fala segundo o que vê e ouve da mídia e de seus 'gurus' de opinião, por isso os poderosos não estão preocupados em acabar com essa Liberdade de Expressão, e a Democracia sobrevive; mas é preciso avançar porque a inércia definha. E vemos em alguns países com democracias mais tradicionais surgirem questionamentos sobre as  regras... lá não tem inércia.

11/11/2010

A economia errante e seu fiel escudeiro.

                   A Dona Maria, costureira, trabalhva em sua casa, na rua 38, quando um menino bateu à porta e lhe entregou R$50,00 dizendo que o seu João mandou pagar ela. Pensando ser o marido da Eunice, sua cliente, recebeu e lembrando que devia no açougue se apressou em sair.
                   Foi até o açougue e pagou o Anselmo. Este por sua vez, tratou logo de dar o dinheiro á sua mulher para pagar a quitanda. A dona Lúcia da quitanda recebeu e de imediato atravessou a rua para pagar ao farmacêutico, seu João. Nesse mesmo instante a sua mulher Eunice entrou e lhe pediu dinheiro para pagar a reforma de umas calças feitas pela costureira; ao chegar á casa da costureira, Dona Maria ficou muito surpresa, disse que já havia recebido a conta, mas a Eunice insistiu que o João da farmácia nem sequer sabia do gasto com a costura. Sendo assim, Dona Maria recebeu o dinheiro.
                  Passada uma hora eis que o menino que trouxera os R$ 50,00 bate à porta novamente e explica, meio sem jeito, que o seu patrão - Seu João da olaria, havia lhe pedido para pagar a Dona Maria confeiteira que morava na rua 38, mas que ao chegar á rua perguntou sobre dona Maria apenas, o que gerou uma grande confusão e que se ele não recuperasse o dinheiro perderia o emprego. Compreensiva, Dona Maria lhe devolveu o dinheiro e ele aliviado correu devolver ao chefe.
                  Na sua simplicidade Dona Maria não se deu conta de todo o ocorrido e de quantas contas realmente haviam sido pagas com aqueles R$50,00, mas estava feliz só porque pagara o açougue.
                  Há uma curiosa situação cambial no mundo. Muitos países, através de seus governos, injetaram muito dinheiro na economia nos últimos 2 anos para atenuar os efeitos da crise no setor financeiro e, quando falo isso não me refiro exclusivamente aos Estados Unidos mas a todos os países cujos bancos foram diretamente afetados. No Brasil, o governo tomou rumos diferentes: reduziu impostos, estimulou o consumo, ampliou o crédito. Assim como na história da costureira todos ficaram satisfeitos. Não houve 'emissão' de dinheiro, que teoricamente provocaria inflação e desvalorização do Real - não há excesso de liquidez. E com isso, o governo achou que estávamos livres de qualquer efeito significativo de crise, no entanto, começamos a ver um aumento nos preços dos alimentos e um prognóstico de redução das exportações por conta da valorização do Real que torna nossos produtos menos competitivos no exterior. O risco de desemprego aponta no horizonte, o fantasma da inflação assombra os economistas e o endividamento das pessoas e empresas está alto.
                A história da costureira só funcionaria se nenhum dos envolvidos tivesse relações comerciais com pessoas de fora da comunidade. Se um deles tivesse pago a conta para alguém de uma cidade em outro estado já quebraria a corrente e Dona Maria e o menino estariam em sérias dificuldades.
                O mundo globalizado não permite mais histórias individuais. O que afeta o mundo vai afetar a todos, segundo o grau de globalização de cada economia, mais cedo ou mais tarde...                                    
              Achamos que a batalha estava vencida, e estava já que combatemos o moinho de vento e não o inimigo real.
             Os gestores da economia no Brasil estão com um grande problema nas mãos. Os teóricos têm opiniões diametralmente opostas sobre a melhor saída. Passada a eleição que protelou ações do governo, não dá mais para ficar estático e fingir que esta tudo bem. É hora de decisões serem tomadas. Colocar a culpa nos outros é fácil, dizer que os países estão atuando baseado no "Salve-se quem puder!" parece o discurso de quem não sabe como se salvar.
                 Travar as pás de um moinho de vento é fácil. Difícil é parar o vento.

25/09/2010

Bola de Cristal é a bola da vez!

             Pesquisa espontânea DataFolha de 22.09 mostra: 

               - Dilma: com 39%, manteve índice da pesquisa anterior
               - Serra: 21%, subiu 2 pontos
               - Marina: 9%, subiu 1 ponto
               - Indecisos: 24%, caiu 4 pontos da ultima pesquisa.
               - Nulos, brancos e outros candidatos somam 7%, cresceu 1 ponto.

        Historicamente, 1 semana antes das eleições, o número de indecisos varia de 12% a 15%; temos um número muito alto nesta eleição: o dobro. Esse fenômeno não tem precedentes. Por isso uma projeção de futuro fica difícil.
      Se fossemos nos basear nas eleições anteriores, poderiamos dizer que 80% dos indecisos (dos 15 dias antecedentes à eleição) vão pra quem está em primeiro e 20% se distribuem entre os outros candidatos. Isso levaria Dilma à vitória no 1º turno com cerca de 58%. Essa é a lógica que anima os petistas a acharem que já ganharam.
         Por outro lado, vemos que essa divisão não ocorreu na ultima semana: os idecisos cairam 4% e isso não foi para a 1ª colocada nem em parte, dividiu-se entre os outros. Isso demonstra que este numero atípico de indecisos, também está fazendo um movimento diferente do esperado e tecnicamente previsível. E se essa tendência se manter iremos ao 2º turno, porem o oponente de Dilma seria incerto, pois seguindo esta progressão Serra e Marina estariam tecnicamente empatados no segundo lugar.
         A terceira hipótese, e a meu ver a mais provável, é de que 80% da metade destes indecisos (9,6%) vão para Dilma, deixando ela com 48,6%, considerando-se que historicamente brancos e nulos ficam em 5%. Dilma tecnicamente ganharia no 1º turno, embora, pela margem de erro da pesquisa, possa não passar e ficar com menos de 47,5%.
             Teremos de qualquer forma uma emocionante decisão no "fotochart".
       Qualquer coisa diferente do apresentado acima são só impressões e exercício de "futurologia". E embora eu seja tendenciosamente contra a Dilma eu sou muito bom em "futurologia" (tecnicamente: visionário, com alto grau de assertividade) e meu "feeling"; diante da pesquisa detalhada, é que o desempenho de Dilma na Região Sul e Sudeste (58% do eleitorado brasileiro e região c/ maior poder aquisitivo e maior escolaridade) está muito acima do esperado. Na pesquisa, os indecisos nesta região estão em 29% contra 22% no Norte-Nordeste. Assim, eu espero um crescimento de Serra e Marina bem maior do que a analise técnica pode demonstrar com os dados disponíveis. Mas de qualquer modo, a definição será por no máximo 3 pontos percentuais (variação do 1º colocado para a soma dos demais votos válidos). Diante de margem tão pequena, só com Bola de Cristal mesmo.
           Esta semana, acredito em um movimento mais agressivo dos partidos, especialmente do PT para garantir vitória no 1º turno. A insegurança está muito grande na direção das campanhas. E um segundo turno deixa o PT muito mais preocupado, como demonstrei no post anterior / abaixo. Tudo vai depender do tamanho e alvo do próximo escândalo.

Link onde se encontra, quase escondido, a pesquisa espontânea: Clique aqui. 
Para pesquisa completa em PDF, baixe aqui: Pagina de Download DataFolha

16/09/2010

Vamos ter 2º turno sim!

              Alguns dados são difíceis de manipular em pesquisas eleitorais, é o caso dos indecisos quando a resposta é espontânea e única. O DataFolha de hoje trás uma nova pesquisa e não diz qual o número de indecisos neste caso, omite novamente um dado importantíssimo para o eleitor. Semana passada até omitiu a própria pesquisa espontânea.
               Mas hoje é só fazer a conta: 39+19+7=65%-100%=35% - pode-se considerar 2% para outros candidatos e 7% para Brancos e Nulos. Teremos então 26% de indecisos ainda.

Via Folha on Line

           Quem for corajoso de bater forte no tema corrupção e ainda ligar a mensalão vai levar a fatia maior desse bolo. E vamos ter 2º turno sim!

13/09/2010

Lendo pesquisas.

                    O DataFolha deste final de semana escondeu a sete chaves a pesquisa espontânea para Presidente. Mas internamente tanto no PT quanto no PSDB é sabido que Dilma caiu o suficiente para indicar que haverá 2º Turno. O escândalo da Receita, e até aparição, vista como de 'pouca ética' de Lula defendendo Dilma provocaram a queda. O fato novo envolvendo a Casa Cívil ainda não estava na pauta dos eleitores.
                   E para preocupação geral dos 2 partidos, mais da metade dos votos perdidos foram para Marina, oque indica que mesmo que PT passe para um ataque mais concreto contra Serra, os votos perdidos por ele irão em boa parte para Marina e não para Dilma, que assim não alcança os 50% de jeito nenhum.
                  Já para Serra a preocupação é com uma explosão de Marina que tire ele do 2º turno. A diferença ainda é grande, mas a possibilidade existe.
Historicamente, indecisos estariam esta semana entre 22% e 25%, e o candidato mais atacado nas 2 ultimas semanas antes do pleito é o que leva menos desse bolo, apenas 28% a 31%. Esse dado se baseia em pesquisas sem finalidades propagandísticas realizadas nas 3 eleições anteriores. E consideram as pesquisas espontâneas e não as estimuladas que são menos confiáveis.
                 O 2º turno tão desejado por tantos que vêm nisso um enriquecimento democrático do pleito, está muito perto.

21/08/2010

Freud explica!

                       A audiência da Propaganda Eleitoral na TV está caindo ao mesmo tempo que os marketeiros tentam encontrar o melhor formato, assunto e linguagem para atrair o eleitor.
                       Seguindo os rumos da TV nos últimos anos, onde programas como BBB e a A Fazenda foram as grandes estrelas: explorando a vida privada de pessoas, numa formula muito freudiana no que diz respeito à divulgação da "intimidade" do comportamento humano nas suas relações com situações e pessoas - não vou me admirar se a propaganda eleitoral tomar o mesmo rumo: invadir a privacidade dos candidatos baseado em fatos ou 'fofocas' que tanto atraem o público. Aí passaremos a ter a coluna social, a coluna policial e, porque não, o Paparazzi dos candidatos; e ainda há lugar para formatos Porta da Esperança e Lar Doce Lar.
                      Os marketeiros logo chegarão a conclusão que o público não tem inspiração para discutir idéias, mas para a emoção, o drama, a fofoca... a comédia da vida privada.
                      No começo, tentarão fazer sem baixaria mas, a medida que o IBOPE oscila poderão chegar lá.Como votar já é um programa recomendado para maiores de 16 anos mesmo...